MP-SP pede quebra de sigilo de faturas de cartões corporativos do Corinthians em gestões anteriores

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) solicitou à Justiça a quebra do sigilo das faturas de cartões de crédito do Corinthians, abrangendo as administrações de Andrés Sanchez (2018-2020), Duilio Monteiro Alves (2021-2023) e Augusto Melo (2024-2025). A medida surge após o clube não entregar os documentos requisitados, o que o MP-SP classificou como demonstração de "desorganização administrativa, inércia do clube e furtos e supressões de alguns documentos".
O pedido foi formalizado ao Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo) do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e encaminhado a uma vara especializada em crimes tributários, organização criminosa e lavagem de bens. A investigação apura o possível uso indevido de cartões corporativos, com suspeitas de apropriação indébita agravada, furto qualificado, abuso de confiança e/ou estelionato, falsidade ideológica e associação criminosa.
Além das faturas, o MP-SP também pediu a quebra do sigilo das notas fiscais emitidas pelo Oliveira Minimercado, sob a suspeita de ser uma empresa de fachada que prestou serviços ao clube.
Em resposta, o Corinthians, através da gestão do presidente Osmar Stabile, declarou que "irá colaborar com as apurações do Ministério Público sempre que solicitado". Stabile assumiu a presidência após o impeachment de Augusto Melo.
Andrés Sanchez manifestou apoio à quebra de sigilo, reconhecendo publicamente o uso indevido de um cartão e afirmando ter realizado o reembolso. Sua defesa reiterou confiança na Justiça e disposição para colaboração, prometendo apresentar esclarecimentos e documentos que comprovem a regularidade de sua gestão.
Duilio Monteiro Alves, por sua vez, negou envolvimento direto em compras, afirmando que "não existe nenhuma nota, nenhuma assinatura, nenhuma aprovação de compras no meu nome". Augusto Melo, em nota divulgada anteriormente, considerou a investigação "muito benéfica para o Corinthians" e defendeu o "passar a limpo" do clube, punindo os responsáveis.
Até o momento, a Justiça ainda não decidiu sobre o requerimento do MP-SP.